quinta-feira, 8 de agosto de 2013

NOVO SITE NO AR!

Em nosso mundo atual, no qual distâncias tem pouco significado em razão da tecnologia, hiperconectividade, super velocidade de informação e com isso nós, meros humanos, tentando física e portanto inutilmente acompanhar bits e bytes na velocidade da luz, é admirável ver que ainda há pessoas que se dedicam à arte num tempo e velocidade naturais, que permitem a reflexão, a contemplação, o convívio e a troca de experiências frente-a-frente (e não via Facebook...).

É com orgulho que a Ophicina apresenta seu mais recente trabalho, somente possível graças à Jaci, do Ateliê Bordados etc e tal e suas alunas-amigas do grupo Ciranda Bordadeira.

Desacelere e visite, vale a pena:

terça-feira, 5 de março de 2013

Pintor, eu sou um pintor, repito isso o tempo todo, para que esta certeza não se perca na contínua profusão das informações que chegam à minha mente. É um emaranhado de coisas que muitas vezes demoro assimilá-las, mas gosto do modo despreocupado e silencioso, sem pressa, com que desenvolvo e curto meu trabalho, cada imagem, cada sentimento colocados na tela, o cheiro forte da terebintina, enfim, tudo isso me transporta para dentro de mim. 
E de repente percebo que o tempo passa depressa demais, não sei se quero acompanhá-lo.
 
As notícias são rápidas, quando consigo digeri-las, elas já perderam a importância, ou caíram no esquecimento. Penso, será que a arte caminha na mesma direção? São tantas coisas novas que surgem, tantas ferramentas tanta modernidade, a digitalização, o giclée, a promessa de que uma obra pode ser eternizada através da tecnologia, e eu fico assustado com tudo isso, como alcançar a tempo todas estas novidades?
 
Pergunto-me: será que os meus pincéis, os panos sujos, a delícia do cheiro forte da tinta em minhas narinas, as mãos borradas de cores diversas, a desordem por todo lado, o prazer no ato de fazer nascer uma obra, será que tudo isso em breve fará parte do passado?
 
Vejo os jovens que chegam cheios de idéias maravilhosas, ilustrações perfeitas, e nenhum pincel... Nenhuma espátula, nenhuma mão suja de carvão.
 
Sinto melancolia nestes momentos, e assim, as coisas vão chegando hoje a uma velocidade muito maior que chegaram às nossas avós, e também não conseguimos acompanhar.
Quando era criança, e rabiscava as paredes e papeis de embrulhos, minha irmã me deu material artísticos porque percebeu que ali poderia haver algum talento escondido...
 
Vi meus filhos crescerem sem riscar as paredes, apenas grudados nos vídeo games, minigames e coisas do tipo... Acho que meus netos nem vão saber o que é papel, lápis de cera, massinha de modelar, todas aquelas “ferramentas” que na época me despertaram para o mundo da imaginação e criatividade.
 
Hoje as “ferramentas” são outras, a maneira de criar é diferente, e são boas, apenas não tem mais o romantismo do velho atelier, onde os artistas faziam nascerem maravilhas, apenas com sua imaginação, óleo de linhaça e algumas bisnagas de tinta, não existia a preocupação de estar ligado a um nobrake por medo de perder horas de trabalho e sono.
 
E assim caminhando entre os versos e pincéis, éramos todos poetas e plenos, porque o ato de criar fazia com que todos os nossos sentimentos aflorassem.
 
Eram músicos, compositores, poetas, boêmios e contestadores, hoje são peritos em ferramentas tecnológicas... E o romântico idealismo se foi, permanece vivo apenas em nossa memória, e nos vestígios que ainda hoje guardamos daquele velho avental sujo de tinta.

Militão dos Santos
15/06/2012

segunda-feira, 5 de novembro de 2012